Céu estrelado.

Vinha apressado, pois atrasar-se-ia para o serviço, novamente. Atravessava a rua rapidamente, notando um ou outro carro passando correndo pela rua,movimentada rua. E parou. Ao invés de atravesá-la, ficou de cócoras no meio-fio e olhava para a rua. O piche preto, meio sujo de pó, contrastava com o brilho de pequenos pedaços de vidro,mas bem pequenos mesmo, como se alguém tivesse moído as janelas da mãe para fazer cerol. Algum menino, talvez. E ele ficou olhando aquilo e pensando: como pode o pensamento do ser humano, ficar viajando com essas coisas idiotas que ninguém nota, e deve ser por isso mesmo, para não passar por idiotas que somos. E seguiu para o serviço, pois o relógio não parou durante o tempo da distração, só ele mesmo parara.
